quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Herança Cultural Africana


A cultura africana é marcada pela exuberância das cores, das formas, das expressões, do temperamento forte e expansivo.
MATRIZES CULTURAIS AFRICANAS
África Ocidental:  Yorubas (Nagô, Ketu, Egbá), Gegês (Ewê, Fon), Fanti-Ashanti (conhecidos como Mina), povos islamizados (Peuhls, Mandingas e Haussas ou Hausas);
África Central: povos Bantos: Bakongo, Mbundo, Ovimbundo, Bawoyo, Wili (conhecidos como Congos, Angolas, Benguelas, Cabindas e Loangos);
Sudeste da África Oriental: Tongas e Changanas entre outros (conhecidos como Moçambiques).
AS CORES E AS ESTAMPAS COLORIDAS
É característica da tecelagem africana, em todas as suas culturas: caboverdiana, nigeriana, angolana, etc, as cores vívidas e padrões de tecido multicoloridos.   Os desenhos variam de cultura para cultura dentro da África.
ARTE
A África Tropical destaca-se pelos seus produtos artísticos, que são as máscaras e esculturas em madeira. Objetos com formas angulosas, assimétricas e distorcidas. Para seus criadores eram objetos sagrados que continham a força vital de um espírito ancestral ou da natureza. Os exemplares expressam a dimensão emocional intensa da sociedade onde foram criados.
Pablo Picasso, lá pelos anos de 1905, conheceu a arte africana que inspirou o movimento cubista.
A arte africana é extremamente rica pela variedade cultural.  Cada nação, tribo, país africano tem sua arte própria.
MÚSICA  
As práticas musicais não podem ser dissociadas do contexto cultural. Cada  cultura possui seus próprios tipos de música totalmente diferentes em seus estilos, abordagens e concepções do que é a música e do papel que ela deve exercer na sociedade. Entre as diferenças estão à maior propensão ao humano ou ao sagrado, a música funcional em oposição à música como arte, a concepção teatral do Concerto contra a participação festiva da música folclórica e muitas outras.
Na África, existem, as seguintes regiões de estilos musicais: Sudão ocidental, Bantu equatorial, Caçadores/recolectores africanos, Bantu do sul, Bantu do centro, Bantu do norte, Sudão oriental, Costa da Guiné, Afro-americano, Sudão muçulmano, Etíope, Alto Nilo e Madagascar. A inclusão de uma região Afro-americana significa que a cultura africana abrange a diáspora africana. As culturas musicais da costa da Guiné (Yoruba e Fon, por exemplo), da região do Congo/Angola e com menor expressão do sudeste africano têm extensões em várias partes do novo mundo. Só recentemente foi possível estabelecer com precisão a ligação de determinados elementos estilísticos de vários tipos de música afro-americana com regiões estilísticas localizadas na África.
A colonização islâmica teve como resultado a islamização da música africana em muitas regiões da África .
Alguns nomes de instrumentos de origem africana: Agogô, Afoxé, Apito , Berimbau , Caixa ,Caxixi ,Chocalho, Cuíca , Ganzá , Pandeiro , Reco-reco , Repinique ,Surdo , Tambor , Tamborim ,Triângulo ,Xequerê, Zabumba.
LÍNGUA
O português é africanizado principalmente por conta da influência das línguas de origem bantu (ou banto) – região da qual foi retirada, à força, a maior parte dos negros escravizados que para cá foram trazidos nos primeiros séculos da Colônia. Diferente, portanto, da difundida idéia que entende o iorubá como “a” língua africana.
1. Palavras africanas que foram apropriadas pela língua portuguesa em diversas áreas culturais, conservando a forma e o significado originais:
a) Simples: samba, xingar, muamba, tanga, sunga, jiló, maxixe, candomblé, umbanda, berimbau, maracutaia, forró, capanga, banguela, mangar, cachaça, cachimbo, fubá, gogó, agogô, mocotó, cuíca.
b) Compostos: lenga-lenga, Ganga Zumba, Axé Opo Afonjá.
2. Palavras do português que tomaram um sentido especial:
a) por tradução direta de uma palavra africana, mãe-de-santo (ialorixá), dois-dois (ibêji), despacho (ebó), terreiro (casa de candomblé);
b) em substituição a uma palavra africana considerada como tabu, a exemplo de “O Velho”, por Omulu, e “flor do Velho”, por pipoca.
3. Palavras compostas de um elemento africano e um ou mais elementos do português: bunda-mole, espada-de-ogum, limo-da-costa, pó-de-pemba, Cemitério da Cacuia, cafundó de Judas.
Nessa categoria estão os derivados nominais em português, a exemplo de molecote, molecagem, xodozento, cachimbada, descachimbada, forrozeiro, sambista, encafifado, capangada, caçulinha, dengoso, bagunceiro.

Fotos CDO/Corumbá/MS

 Casa do Prof. Bob

 
                                              Alunos e suas Graduações       

 

                                                                                Palmas palmas para ele!
 
                                Onde tem capoeira, eu vou! 
                                  

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mestre Pastinha

“Capoeira é mandinga, é manha, é malícia... ...Capoeira é tudo que a boca come...” Mestre Pastinha A Capoeira Angola é um dos traços mais nítidos da influência africana nas tradições folclóricas brasileiras, onde ainda hoje, muitos autores discutem se a sua origem é realmente brasileira ou africana. Dentro da Capoeira Angola, podemos dar destaque a alguns mestres que fizeram escola nesta arte. Entre eles podemos citar os Mestres Pastinha, Waldemar da Liberdade, Canjiquinha, Traíra, Caiçara, Cobrinha Verde, Daniel Noronha, Totonho de Maré e muitos que completariam uma lista imensa, além dos que foram marcados pelo esquecimento. Porém, dentre todos estes, Mestre Pastinha foi quem teve um maior destaque e, assim como mestre Bimba, fez com a sua Regional, desenvolveu alguns elementos didáticos e simbólicos para a Capoeira Angola. Vicente Ferreira Pastinha foi o Mestre do Centro Esportivo de Capoeira Angola, fundado em 1942, de onde surgiram grandes nomes da capoeira como os Mestres João Grande e João Pequeno. Os dois são a maior referência da Capoeira Angola nos dias atuais, sendo Mestre João Pequeno, o mestre mais velho em atividade no país. Mestre Pastinha nasceu em 05 de Abril de 1889, escreveu seu livro “Capoeira Angola” em 1964 e em 1966 foi o representante do Brasil no 1º Festival de Artes Negras em Dakar, na África. O governo baiano, através da Fundação do Patrimônio, o despejou de sua academia em 1973, deixando-o na miséria. Veio a falecer em 13 de Novembro de 1981.

Mestre Bimba

“Passar bem ou passar mal... ...Tudo na vida é passar...” Mestre Bimba Nascido em 23 de Novembro de 1889, Salvador-BA, Manoel dos Reis Machado foi o maior responsável pela expansão e projeção da capoeira além dos limites da Bahia. Não podemos falar da Capoeira Regional ou Luta Regional Baiana sem falar em Mestre Bimba, seu criador. Acreditando que a capoeira que praticava estava perdendo sua essência de luta, Mestre Bimba misturou seus elementos com o Batuque, luta do recôncavo baiano, na qual seu pai era campeão e que utilizava violentos golpes de perna com o objetivo de derrubar o adversário. Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia especializada no ensino da capoeira. Localizada no Engenho Velho de Brotas, bairro pobre onde ele nasceu. Ensinava também em residências. Sua fama cresceu e cinco anos depois ele obtinha o registro de professor de educação física. O Centro de Cultura Física Regional, aberto em 1937, foi à primeira academia de capoeira do Brasil e recebeu este nome, pois, na época, a capoeira ainda era proibida e só poderia ser praticada em recinto fechado, conforme a legalização de Getúlio Vargas. E foi o próprio presidente Getúlio Vargas quem legitimou a capoeira, tirando-a do código penal, dizendo: “A capoeira é o único esporte genuinamente brasileiro”, após apresentação de Mestre Bimba, em 1953, no Palácio da aclamação, em Salvador. Com a Capoeira Regional, nasceram elementos didáticos e simbólicos que influenciaram todos os outros mestres das gerações seguintes. A sua marca ficou registrada em muitas atividades comuns nos dias de hoje, como o batizado e a formatura de capoeira, além das oito seqüências de ensino, seqüências de balões e os toques da Capoeira Regional, onde cada toque corresponde a um tipo de jogo. Mestre Bimba morreu em Goiânia-GO, em 05 de Fevereiro de 1974 e marcou todos os capoeiristas com um exemplo de personalidade e carisma que levantou a capoeira, deixando vários discípulos que continuam seu trabalho até os dias de hoje.

SISTEMA DE GRADUAÇÃO DO GRUPO CORDÃO DE OURO

SISTEMA DE GRADUAÇÃO DO GRUPO CORDÃO DE OURO

A cerimônia do recebimento do primeiro cordão consiste no batizado. A cerimônia dos cordões recebidos posteriormente consiste na troca de cordão. Fica a critério do mestre ou professor o batizado e a mudança dos cordões de seus alunos. O tempo base para a troca de cordão é de 1 (um) ano. O sistema de cores que identifica o estágio de aprendizado e evolução do capoeirista é organizado em dois grupos e 5 fases.
Cada grupo corresponde a uma faixa etária:
1) Menores de 15 anos: cordões de cor mais clara;
2) A partir de 15 anos: cordões de cor mais forte, mais escura.
O tom de cor claro, trançado em quatro (com 24 fios) deverá ser usado na cintura dando duas voltas na mesma, e com sua extremidade descendo pela perna esquerda até a altura do joelho. O tom de cor escura para a graduação acima de quinze anos de idade, trançado em quatro com 32 fios de lã.
Serão conferidos certificados de graduação a todas as classificações.
As fases são as seguintes:
Fase 1: Graduação do Praticante de Capoeira Infantil que são capoeiristas com até 14 anos.
1º Cordão (batizado) - Cordão Verde-Claro
2º Cordão - Cordão Verde-Amarelo Claros
3º Cordão - Cordão Amarelo Claro
4º Cordão - Cordão Amarelo- Azul Claros
5º Cordão - Cordão Azul Claro
Fase 2: Graduação de capoeiristas acima de 15 anos.
1º Cordão (batizado) - Cordão Verde-Escuro
2º Cordão - Cordão Verde-Amarelo Escuros
3º Cordão - Cordão Amarelo Escuro
4º Cordão - Cordão Amarelo- Azul Escuros
5º Cordão - Cordão Azul Escuro
Fase 3: Capoeirista Formado Professor
Trançado com três cores -Verde, Amarelo e Azul - todos escuros.
Fase 4: Capoeirista Formado Contra Mestre
Trançado com quatro cores - Verde, Amarelo, Azul e Branco - todos escuros.
Fase 5: Graduação de Mestres
Trançado com quatro cores - Verde, Amarelo, Azul e Branco - todos escuros.
Mestre 1º Grau - Cordão Branco e Verde
Mestre 2º Grau - Cordão Branco e Amarelo
Mestre 3º Grau - Cordão Branco e Azul
Mestre 4º Grau -  Cordão Branco Total
Mestre 5º Grau - Cordão de Ouro
TONALIDADE UNIVERSAL DAS CORES DO GRUPO CORDÃO DE OURO
As tonalidades das cores dos cordões deverão obedecer fielmente às seguintes referências das lãs para a confecção dos cordões:
  Cores                                    Marcas
Verde Claro ........................Amiga nº 422
Verde Escuro.......................Família nº 167
Amarelo Claro ................... Família nº 110
Amarelo Escuro...................Pingüim nº 853
Azul Claro.......................... Família nº 241
Azul Escuro........................ Família nº 167
INDUMENTARIA (Uniforme)
Calça branca até o tornozelo com passantes para o cordão. Camisa (camiseta) de malha branca de manga curta ou comprida.
ESCUDO DA CAMISA
Toda camisa oficial de cada academia levará o símbolo da Academia no peito, e o símbolo CORDÃO DE OURO MESTRE SUASSUNA nas costas.

FASE EXAME
Todo o aluno com um tempo básico de 1 (um) ano de treinamento, deverá participar do exame de graduação, o qual irá elegê-lo ou não a um próximo cordão.
CÓDIGO DE ÉTICA
Será obrigatório o conhecimento e uso do Código de Ética por todos os alunos e Mestres filiados ao GRUPO CORDÃO DE OURO.

Historico da Cidade de Corumbá/MS

Fundada em 21 de setembro de 1778 pelo então Capitão General Luiz de Albuquerque, Corumbá* foi denominada inicialmente como Vila de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque. A povoação ergueu-se um pouco mais ao sul e durante alguns anos conservou-se como simples destacamento militar e lentamente transformou-se em povoado.

Foram encontrados dois significados para seu nome: um derivando do termo indígena curupah, onde curu = rugoso, como os índios chamavam a aroeira e pah = abundância; o outro significando é "lugar distante". É conhecida hoje, como a "Cidade Branca", pela cor clara de sua terra.

Corumbá de Antigamente


Atraídos pelas notícias da existência de pedras e metais preciosos, usados em adornos pelos indígenas, que povoaram a região , Aleixo Garcia, português , foi o primeiro que se tem noticia a visitar o território em 1524, que pelo rio Miranda alcançou o rio Paraguai, e conseqüentemente esta região.
Entre 1537 e 1538 a expedição espanhola de Juan Ayolas e seu acompanhante Domingos Martnez de Irala, seguiu pelo rio Paraguai até a lagoa da Gaíva, que denominaram de "Puerto de Los Reyes", em busca de tesouros.
Álvaro Nuñez Cabeza de Vaca, espanhol e aventureiro, por volta de 1542/43, também passou por aqui, buscando caminho para o Peru.
Em 1546, o então Governador de Assunção (Capital do Paraguai), Domingos Martinez de Irala esteve nesta região, que em marcha chegou aos Andes.
Visando o Tratado de Limites existente, os espanhóis fundaram em 1774 um povoado na Foz de Ipané. Para garantir a posse da margem esquerda do rio Guaporé e grande parte da margem direita do rio Guaporé e grande parte da margem direita do rio Paraguai, o capitão Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres mandou o Capitão Matias Ribeiro da Costa, em 13 de outubro de 1775, que assentasse uma grandiosa e garantidora fortaleza, o Forte Coimbra no local denominado "fecho dos Morros" quarenta léguas rio abaixo, de onde está erguido.
Visando a garantia de melhores terras brasileiras, o Capitão Luiz de Albuquerque mandou que fosse erguido o Forte "Príncipe da Beira" e em 21 de setembro de 1778, efetuou-se a ocupação do local que hoje se assenta esta maravilhosa cidade de Corumbá.
Em 21 de setembro de1778, a mando do Governador da Capitania de Mato Grosso, o Capitão-General Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, o Sargento-Mor Marcelino Rois Camponês, comandando uma expedição militar, tomou posse para a Coroa Portuguesa, fundando e dando ao local o nome de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, sendo então lavrado o termo de fundação.
Em 1800 o arraial foi totalmente destruído por um incêndio, tão violento que foi, ficando apenas a capelinha aí existente que era de telha, pois a única desse tipo que havia. Até essa catástrofe, o seu crescimento deixou a desejar, por um longo período não passava de um Posto Militar.
Por ser lento o seu progresso, somente em 1838, pela Lei Provincial, de 26 de Agosto, foi elevada à categoria de freguesia.
Em 1859, o Presidente da Província Almirante Joaquim Raimundo De Lamare, assustado com o grande desenvolvimento, dado a navegação comercial, riscou as ruas da cidade e mandou que demarcassem as ruas, praças e edifícios públicos. Com todo esse progresso, em 1861, no dia 1º de maio era instalada a Alfândega de Albuquerque para arrecadação de impostos.
Herculano Ferreira Pena, presidente da Província, por decreto nº 6, de 06 de Julho de 1862, criava o Município, elevando à categoria de Vila.
Com a ocupação das tropas de Lopes em 1865/67, o progresso da região foi bloqueado. Reduzindo a ruínas até 1870, em 07 de outubro de 1871, já com um crescimento, é restaurada a categoria de Vila. Em 1873, pela lei Provincial nº 1, era criada a Comarca de Corumbá, declarada de 2º estância em 10 de Junho e instalada , em 19 de Fevereiro de 1874. Pela lei nº 525, de 15 de Novembro de 1878 é elevada à categoria de Cidade. Em 1877 a cidade já possuía três praças, 10 ruas retas e uma população de aproximadamente 6.000 habitantes.
Nessa época, final do século XIX, Corumbá era o 3° maior porto fluvial da América Latina e movimentava, através dos vapores na rota Europa/Brasil, o comércio de peles, charques e outras riquezas produzidas na região.
Em 1914 a cidade já era povoada por 15.000 almas. Era então cortada de espaçosas ruas, obedecendo a um plano uniforme, paralelas e perpendiculares ao rio, só lhes faltando uma arborização simétrica para darem a completa idéia das avenidas e o aspecto das metrópoles modernas daquela época. Getúlio Vargas serviu até a patente de cabo, em 1903. A cidade dividia-se em duas partes, uma que estava sobre a elevação calcária, onde se encontravam as casas de bazar, bijuterias, relojoarias, bebidas, modas, drogarias, farmácias, livrarias e papelarias, enfim, o comércio retalhista e a varejo. A outra parte estava situada embaixo da elevação, com a qual se comunicava através de duas ladeiras, sendo a elevação de mais ou menos 60 metros. Esta parte, em contato com as águas do rio, é o Porto Geral: era aí que estava o alto comércio e onde existiam as casas maioristas de importadores e exportadores.
Cidade em contínuo progresso, devido sem dúvida ao elemento estrangeiro de que era composta a maioria de sua população, seu porto era visitado por embarcações de grande calado, nacionais e estrangeiras. Tais embarcações traziam grandes carregamentos de mercadorias destinadas ao mercado local, bem como as outras localidades do estado e ao oriente da Bolívia. De regresso, levavam os produtos de exportação: borracha, couros, charque, ipecacuanha (planta medicinal), etc.
Ocultando às vistas dos visitantes, quando chegavam do Rio da Prata, pelas voltas do rio, surpreendia o belo aspecto que se descortinava à entrada do porto da cidade. Na parte baixa, o Porto Geral, importantes edifícios públicos e comerciais que se elevavam até três andares, como a Alfândega, a Mesa de Rendas do Estado, o Prédio Wanderley Baís & Cia., o Prédio Vasquez e Filhos e outros. Também na parte alta encontravam-se imponentes prédios como a Escola Estadual, o Quartel do 13° Distrito Militar, a Sociedade Beneficente Italiana, a Intendência Municipal, o Correio, Telégrafo, Quartéis, a bela Igreja e a Escola dos Padres Salesianos, apenas para citar alguns.
Dessa época de autêntico fausto, Corumbá guarda preciosos registros na forma de seus belos casarões, sobrados de estilo único e que testemunham a importância da cidade na forma de seus belos casarões, sobrados de estilo único e que testemunham a importância da cidade no processo de colonização da fronteira oeste brasileiro.
Paraguai - A invasão inimiga
Seu ideal era conquistar a América do Sul, um sonho que tinha desde estudante, em Paris, onde Napoleão tornou-se um monarca poderoso do velho mundo. Era assim o ditador Francisco Solano Lopez.
A mando do ditador, um oficial do seu exército chegou a Corumbá no final de 1863, um estrategista de alto gabarito, disfarçado de fazendeiro que demonstrava grande interesse em conhecer os campos do Sul e sua fazenda de gado.
Recomendado, foi o comerciante Santiago Solari, que lhe ofereceu um homem e um guia que os levou até os campos de Amambaí, constando nesse período a fragilidade das tropas brasileiras que guardavam as fronteiras do Sul.
Em dezembro do ano de 1864 , de o Sul de Mato Grosso, na colônia de Dourados (hoje próspero município) é invadido pelo próprio espião Izidoro Resquim, com uma numerosa guarnição de soldados, sob comando do herói Antonio João. Izidoro Resquim, conhecendo o valor da tropa brasileira, afirmou: "Si todos los brasileiros son valientes así, minha no és un simples passeo militar".
Para essa região , de Forte Coimbra e de Corumbá, foi enviada uma tropa de 3.200 homens, em 4 batalhões de Infantaria, 12 peças de fogo e 30 foguetes de 24mm, de fabricação francesa.
Em 28 de dezembro de 1864, atracou em Corumbá a tropa inimiga e desembarcando somente em 3 de Janeiro de 1865.
No dia 8 de Janeiro do mesmo ano, regressa em Corumbá o "Iporã", um navio de bandeira paraguaia com a notícia da tomada e abordagem do navio brasileiro "Amambaí", que sob o comando do Coronel Carlos Augusto de Oliveira, seu Estado Maior e a tropa do 2º Batalhão, que dia antes da ocupação paraguaia haviam abandonado a vila, tentando chegar em Cuiabá.
A ocupação da vila foi pacífica, Vicente Barros, comandante da tropa inimiga e cunhado do ditador Solano Lopes, classificou a abordagem da Vila como um passeio militar. Durante a ocupação as mulheres eram levadas para o navio do Comandante, as casas eram saqueadas e os objetos de valor eram divididos entre os soldados; para os brasileiros o castigo era pior, pois, eram levados para Assunção para trabalho forçado, enquanto que as mulheres, crianças e inválidos ficaram na vila também para trabalho forçado.
A Retomada da Vila - a expulsão do inimigo
Na antiga Capital cuiabana, o Presidente da Província, organizou o Primeiro Corpo Expedicionário sob o comando do Tenente Coronel Antonio Maria Coelho e um efetivo de 400 homens, composta de um Comandante, Fiscal, Adjuvante-Secretário, Quartel-mestre, Médico, Capelão e 24 Oficiais combatentes. Comandava a 1ª Cia. o Capitão de Infantaria Joaquim Luiz de Cunha e Cruz, a 4ª Cia. o Tenente de voluntários Antonio Augusto Corrêa da Costa que era composta de homens do Exército, da Guarda Nacional e Voluntários.

No dia 15 de Maio de 1867, as 1ª, 5ª e 6ª Companhias partiram de Cuiabá em canoas rebocadas pelos vapores que voltaram para trazer os restantes das Cias. Essas desembarcaram nas proximidades do rabicho, depois de alguns dias de viagem a remo e seguindo viagem marche - até as proximidades da fazenda Piraputanga travando e vencendo luta com inimigo onde tinha um posto, seguindo viagem para a lida de Corumbá, na direção Sul/Norte.

Seguiram-se outros combates de grande importância, porém o mais notável antes da batalha final, foi o que se verificou em um matagal onde hoje está a Praça Uruguai (atual Mercado Municipal) em frente à Casa do Artesão, antiga Cadeia Pública. O inimigo esperava que fossem atacados pelo Norte da cidade, quando a coluna atacante deveria descer o rio Paraguai, a favor da corrente. Segundo se sabe, o grosso da tropa inimiga achava-se aquartelado no Largo do Carmo, em frente hoje está a Matriz de Nossa Senhora da Candelária, onde foi travado o combate decisivo, quando veio a fortalecer o Capitão Cunha e Cruz. Era o dia 13 de Junho, dia consagrado a Santo Antonio, e ali bravos homem brasileiro, sob Comando do Tenente Coronel Antonio Maria Coelho derrotaram o inimigo tomando posse das terras, hora sob o domínio paraguaio.
Forte Coimbra - uma história marcada pela guerra
Forte Coimbra tem como data oficial de sua fundação o dia 13 de setembro de 1775. As decisões de sua fundação como local, data, tipo de construção e arquitetura tiveram suas origens e objetivos muito antes. Tudo começou com o avanço para além das terras delimitadas pelo meridiano do Tratado de Tordesilhas. Após a liberação de Portugal do domínio espanhol, este começou a exigir o cumprimento das demarcações do tratado. Apesar disso, as terras da região do atual Mato Grosso do Sul e Paraguai se tornaram bem conhecidas dos bandeirantes paulistas e jesuítas de Assunção. Após as demarcações do Tratado de Madrid, houve a necessidade da demarcação de terras pela coroa portuguesa e seria muito conveniente a construção de algum ponto demarcatório daquela região ao sul. Foi daí que nasceu a idéia de se construir um presídio bem ao sul, próximo aos castelhanos.
Após a chegada do primeiro governador de Mato Grosso em 1751 e várias mudanças no governo, planos de consolidação, de defesa e expansão, o quarto Capitão Geral da Capitania de Luís de Albuquerque de Mello, manda fundar uma fortificação rio Paraguai abaixo para impedir o avanço castelhano e atuação dos índios paiaguás. Designa o Capitão Mathias Ribeiro da Costa para o local chamado Fecho dos Morros, bem abaixo da posição atual do forte, próximo à cidade atual de Porto Murtinho, 292 Km abaixo (20 dias de canoa de Cuiabá). Mathias parte de Cuiabá em 22 de julho de 1775, com uma expedição de 245 homens distribuídos em 15 canoas e divididos em três grupamentos, guiados por um índio idoso. Em 13 de setembro de 1775, fundou, no estreito de São Francisco Xavier, na margem direita do Rio Paraguai, o Presídio Nova Coimbra.

Durante 22 anos ali ficou apenas o presídio. Em agosto de 1797, assume o comando do presídio aquele que foi a figura mais importante de toda essa história, o Tenente Coronel de Infantaria e engenheiro geógrafo Ricardo Franco de Almeida Serra, homem com um extenso currículo de serviços prestados à coroa portuguesa e ao Brasil, tendo feito desde mapeamentos de extensas regiões a obras de engenharia.
A obra do forte inicia-se, com poucos recursos e sem gente especializada, a 3 de novembro de 1797.

Terminou muito tempo depois mas, mesmo apenas com algumas muralhas já prontas, o forte chegou a receber ataques e saiu-se vitorioso. Algumas dessas passagens foram tratadas nas páginas sobre fatos históricos.
Apesar de Mathias Ribeiro ter escolhido o local errado, o que inclusive lhe custou seu posto, alguns fatos mostram que estrategicamente o local era perfeito:
›› A distância era boa para um apoio militar, já que Fecho - dos - Morros era muito mais abaixo e isso implicaria também em risco de cruzar com os hostis índios cavaleiros guaicurus;
›› Tinha uma maior distância rio acima de guarnições castelhanas;
›› Existiam melhores condições militares para impedir avanços rio acima.

O domínio pelos espanhóis de outras guarnições militares, a resistência do forte a ataques por eles, veio mostrar o acerto em sua localização. O próprio Luiz de Albuquerque, que substituiu Mathias Ribeiro após seu erro, não determinou a sua correção porque, após mandar verificar o local, achou-o desfavorável mesmo. Aliás, durante muito tempo esse local foi, por cinco vezes, palco de fracassadas tentativas de ocupação militar.

Conta a lenda que por esse local passou São Tomé, em direção ao Peru, e por isso ficou sendo considerado sagrado e de paz, para ser desfrutado para lazer, sendo por isso impedido de ocupação militar. Conta-se ainda que Mathias teria sido iluminado pela santa milagrosa e padroeira do forte, Nossa Senhora do Carmo.

Uma das datas mais importantes de Forte Coimbra é a de 16 de julho, quando se comemora festivamente o dia da padroeira. A padroeira e Ricardo Franco são, sem dúvida, os nomes mais importantes de Forte Coimbra. Deve-se fazer aqui um adendo à figura do General Raul Silveira de Mello.

Nascido a 8 de fevereiro de 1882, em Cruz Alta - RS, foi o maior historiador e biógrafo de Forte Coimbra. Além de ter escrito várias obras ligadas ao forte, como a obra marcante "A História de Forte Coimbra", ajudou a localizar os restos mortais de Ricardo Franco, que falecera em 21 de janeiro de 1809, às 14h, no forte. Seus restos permanecem no forte até hoje, repousados sobre um monumento, lá localizado.
Obs.: Havia uma tradição entre os oficiais, devido a grande devoção a N. Sra. Do Carmo, segundo a qual, os oficiais do exército que serviam no Forte, ao atingirem o generalato, enviavam-lhe, de onde estivessem uma estrela de ouro de suas ombreiras.
Forte Junqueira
Foi construído logo após a Guerra do Paraguai, em 1871. Seus 12 canhões, de 75mm, foram fabricados pela indústria alemã Krupp, e nunca foram usados. As paredes são de calcário e tem meio metro de espessura. Está situado, hoje, dentro do Quartel do 17° Batalhão de Caçadores, em um penhasco sobre rochas. O nome Junqueira homenageia o Ministro da Guerra da época, José Oliveira Junqueira, falecido em 1887.

domingo, 19 de setembro de 2010

Grupo de Capoeira Cordão de Ouro Corumbá MS

A ASSOCIAÇÃO DE CAPOEIRA CORDÃO DE OURO está completando 43 anos de existência neste ano de 2010, foi fundada pelo Mestre Suassuna na década de 60, mais exatamente em 1º de Setembro de 1967, juntamente com Mestre Brasília, numa época de grandes festivais da música popular brasileira. Ao ouvir o refrão da música acima em uma rádio, os dois, já com a idéia de abrir uma academia, decidem usar o nome CORDÃO DE OURO, por se tratar de Besouro Cordão de Ouro, um capoeirista anterior à divisão Angola e Regional. Mestre Suassuna ensinaria Capoeira Regional e Mestre Brasília Capoeira Angola dentro do mesmo espaço. Após um curto período, Mestre Brasília decidiu fundar seu próprio grupo, São Bento Grande.
Nasce Associação Cordão de Ouro, Av. Angélica em um prédio em demolição até chegarem na Rua das Palmeiras, 104
Nesta época difícil para a capoeira, quando a perseguição da ditadura e o preconceito impediam seu desenvolvimento no sul do país, Mestre Suassuna, baiano de Itabuna, recém chegado a São Paulo, continuou o trabalho e se apresentava insistentemente, mostrando as técnicas do jogo e luta, abrindo a primeira academia na capital paulista.
Com intenso trabalho, não demorou muito a ter seus primeiros bambas, tais como Lobão, Esdras Filho, Tarzan, Belisco, Almir das Areias, Caio, Irani e tantos outros.
Abrigava capoeiristas do norte e nordeste que aqui chegavam, com o intuito de melhor difundir a arte da capoeira, fazendo de sua academia a referência para a formação de uma grande safra de novos mestres em solo paulista. A CAPOEIRA CORDÃO DE OURO foi berço de muitos nomes de destaque. Além dos já citados, vieram os Mestres Flávio Tucano, Biriba, Dal, Marcelo Caveirinha, Urubu Malandro, Espirro Mirim, Xavier, Lúcifer, Torinho, Pial, Canguru, Sarará, Zé Antônio, Ponciano, Bolinha, Geraldinho, sem se esquecer também de Mestre Cícero, Mestre Zé Carlos e Mestre Penteado, aque apesar de serem alunos netos possuem um valor inestimável para Mestre Suassuna e o Grupo Cordão de Ouro, entre tantos que completariam uma lista imensa.
Sempre irrequieto Mestre Suassuna nunca se acomodou, mantendo seu trabalho continuamente reciclado, criando após anos, o Jogo do Miudinho. Uma nova equipe de capoeiristas enriqueceria o seu acervo de contra mestre: Boca Rica, Habibs, Mintirinha, Kibe, Denis, Saroba, Coruja, Chicote, Chiclete, Kino, Pintado, Lú Pimenta, Barata, Muriel, Esquilo, Romualdo e outros mais, regentes de um jogo novo e rico em movimentos plásticos, mais conhecidos como a geração miudinho.
Hoje, com inúmeras filiais no Brasil e no exterior, o GRUPO CORDÃO DE OURO tem papel de destaque entre todos os grupos de capoeira, não só pelo que representa o Mestre Suassuna para o esporte e para a cultura, mas também pelo esforço empreendido por ele e seus adeptos. A fim de manter a capoeira num nível altamente técnico, interagindo velocidade, agilidade, elasticidade, criatividade, música e malícia, sem esquecer suas raízes.
Esse esforço tem sido compensado pela dedicação dos capoeiristas que seguem a filosofia do grupo.
Em Mato Grosso do Sul iniciou os trabalho na Cidade de Sonora e hoje está nos municípios do estado, Campo Grande, Corumbá, Jaraguari, Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Camapuã, Miranda, Figueirão, Costa Rica.

Objetivo:

A Cordão de Ouro – MS tem como objetivo os proprosito da arte capoeira e a prioridade da educação que é a chave, chave que abre a possibilidade de se transformar o homem anônimo, sem rosto, naquele que sabe que pede escolher, que é sujeito participante de sua reflexão, da reflexão do mundo e da sua própria história, assumindo a responsabilidade dos seus atos e das mudanças que faz acontecer. Essa chave nos permite modificar a realidade, alterando o seu rumo, provocando as rupturas necessárias e aglutinando as forças que garantem a sustentação de espaços onde o novo seja buscado e assumindo a responsabilidade dos seus atos, construído e refletido. O pioneirismo da Cordão de Ouro-Corumbá se caracteriza, portando, por trêsatributos: A coragem, a intuição e o compromisso com o tempo, ou seja, uma visão não-imediatista das coisas. A coragem de navegar “por mares nunca dantes navegados”, de abrir caminhos com os próprios pés. A intuição de apostar numa idéia, quando ainda não se conta com base de dados suficientemente sólida para nos dar a segurança de que ela vai dar certo. E, finalmente, a superação do imediatismo, um compromisso com o médio ou, até mesmo, o longo prazo para permitir que o conceito inicial evolua.
Mestre Pernambuco
Professores: BoB, Hollywood, Barbaro, christian, Celso, Bodão, Candida…